Mostrando posts do dia terça-feira, novembro 4th, 2008.


Casa das Onze Janelas - Mais uma vez!

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Se tem um espaço em Belém que é contra as práticas saudáveis, esse espaço é a Casa das Onze Janelas. Será que é pelo fato do local de ser frequentado pela “nata” da sociedade que subistituiu suas bicicletas por carrões e seus caiaques por lanchas?

Acho que o Secretário de Cultura ou quem quer que seja responsável por aquele lugar deveria abrir os olhos para a tendência mundial em se tratando de meios de transporte alternativos. Pra começar, eu informo aos leitores, que o lugar não possui nenhum bicicletário e vai mais além disso.

Em julho desse ano, um amigo caiaquista, me reclamou que havia tentado subir com seu caiaque na rampa da Casa das Onze Janelas e que tinha sido impedido. Publiquei em meu blog, mandei para um jornal, enfim, fizemos um alvoroço. Mas não resultou em nada.

Ontem (03/11) eu e mais dois amigos estavamos pedalando pela cidade, curtindo uma noite agradável com um clima bem ameno e resolvemos fazer um passeio turistico pela cidade. A nossa intenção era visitar alguns pontos bonitos e publicos da capital.

O primeiro ponto foi passar em frente ao Hangar, seguimos pela “nova” ciclivia da Marquês de Herval e chegamos ao Hangar, voltamos pela Duque (a avenida ecologicamente correta onde pintamos ciclofaixas virtuais) e chegamos na Doca, seguimos para o Ver-o-Peso, pedalamos por dentro da feira, beirando o rio, seguimos pela feira do açaí e subimos na rua entre o Forte do Castelo e o Museu de Arte Sacra, chegamos ao Complexo Feliz Luzitânia. Já sabia que lá, se quisessemos visitar o trapiche da Casa das Onze Janelas teriamos que descer da bike e empurra-la, nada mais justo, afinal é um lugar destinado a pedestres, mas pela lei de trânsito, os ciclistas empurrando a sua bike se equivalem a pedestres.

Descemos da bike e empurramos em direção ao trapiche, nesse momento, um guarda nos informa que não poderiamos seguir a partir dali, que teriamos que deixar nossa bicicleta lá na calçada da rua para poder seguir a pé. Tentei argumentar com ele, expliquei para ele as leis e ele soltou uma peróla:

- Você conhece as leis - Perguntei pra ele.
- Não sou eu que faço as leis… respondeu ele.
- Você não é um cidadão? Deveria conhecer as leis. - Respondi.

Ao final de muitas tentativas, resolvemos sair de lá, já que aquele realmente é um espaço publico proibido para o publico.

Como será o Fórum Social Mundial que vai acontecer em Belém em janeiro de 2009? Será que os turistas que quiserem fazer um ciclopasseio pela cidade terão condições? Onde será que eles vão estacionar suas magrelas? É amigos… ainda temos muito o que evoluir… infelizmente essa é a realidade.

Belém, Bike, Ciclismo, Educação

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PEDAIS DA LIBERDADE

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Paris quer oferecer 21 mil bicicletas em 1,5 mil estações de metrô e reduzir o tráfego de carros

Por Gianni Carta

Pedalar, pedalar, pedalar. Eis a nova revolução urbana, iniciada, em grande escala, em Paris, neste domingo 15. Nada menos que 11 mil bicicletas disponíveis em 750 estações, espalhadas pela capital. O objetivo do prefeito socialista, Bertrand Delanoë, é oferecer cerca de 21 mil bicicletas em 1,5 mil estações, a escassos 300 metros uma da outra. Ou seja, cinco vezes o número de estações de metrô, esta uma das redes mais densas – e eficazes – do mundo.

Certamente, a capital das luzes, com base em esquema implantado em Lyon com grande sucesso, será o modelo futuro para outras cidades que dependem, em demasia, do automóvel, esse meio burguesote, e poluente (ainda mais em pequenas distâncias). Além disso, o carro é completamente desnecessário em cidades bem delineadas e com meios de transporte invejáveis, com ônibus com ar condicionado, metrô cobrindo toda a região, caso de Paris. Para vários cidadãos, o carro é o meio de transporte que ainda confere liberdade de movimento.

Mas há outros?

Certamente, se você não vive em São Paulo ou em Los Angeles.

Peguei minha Vélib (vélo, ou bicicleta, e liberté, liberdade, produzida pela JCDecaux, na Hungria e em Portugal) em Châtelet, centro de Paris. Rumei para a Place d’Italie, a oeste, em 25 minutos. De metrô, o tempo seria o mesmo. Num automóvel, levaria mais de 40 minutos, segundo estudo da prefeitura de Paris. Preço do Vélib, naquele trajeto: zero. Por semana, o usuário da Vélib desembolsa 5 euros por um passe, e 29 euros pelo ano. Paga-se via internet, ou nas estações de bicicletas. Caso a viagem ultrapasse 30 minutos, a meia hora adicional custa 1 euro, e 2 euros na meia hora seguinte. A partir da terceira meia hora (sem devolver a bicicleta), são 4 euros por meia hora suplementar. Mas é possível entregar uma bicicleta, esperar alguns minutos e pegar outra, sem nenhum custo extra.

A idéia de não ficar com a mesma bicicleta, por mais de meia hora, é democrática. Caso contrário, ela não poderia passar para outro usuário, em tempo curto, e poderia haver gente sem acesso a esse civilizado meio de transporte. Em Lyon, uma mesma Vélib é alugada por mais de dez pessoas ao dia. Perigo de roubo? O ciclista paga uma caução de 150 euros. E, assim, retorna-a a uma das inúmeras estações de bicicletas.

No final das contas, chapeau para Delanoë. Em Londres, Ken Livingstone impôs o sistema de pagamento de diária para quem quer ir, de carro, ao centro de Londres. Deu certo. Mas custa. Quem continua rumando ao centro, de automóvel, paga não somente o preço imposto por Livingstone, mas também o estacionamento, o jantar, o teatro. Uma soma considerável para o casal que pretende ver um musical. Delanoë, mais astuto, fez o contrário. Estreitou ruas e avenidas, construindo ciclovias. Em vez de fazer o motorista pagar, o desencoraja a sentar atrás de uma direção.

Desde que assumiu a prefeitura, em 2001, o prefeito parisiense ofereceu nada menos que 200 quilômetros de ciclovias (alguns trechos são também destinados aos ônibus) espalhadas por Paris. Claro, alguns fanáticos do carro acusaram Delanoë de provocar ainda maior congestionamento.

O objetivo é tornar Paris mais verde e saudável. Até 2008, Delanoë pretende duplicar o número de ciclovias. E até 2020, o objetivo é reduzir o tráfego de automóveis em 40%.

Nem sempre é fácil se locomover de bicicleta. Este escriba viu, no domingo 15, vários motoristas irritados com a lentidão de alguns ciclistas em faróis, inclusive nas vias ditas “verdes”, abertas para ciclistas, mas, por vezes, a taxistas e motoristas de ônibus. Isso porque alguns ciclistas são lentos e a Vélib, como me disse Marine, de 25 anos, “é ótima, mas com três marchas fica difícil pedalar nas subidas mais íngremes”. Contudo, a relação entre motoristas e ciclistas, dizem experts, é questão de tempo. Segundo um estudo, “quanto mais bicicletas, menor o número de acidentes”.

Os motoristas vão se acostumar com os ciclistas, e estes, por sua vez, ficarão mais hábeis no trânsito. Para os ciclistas verdadeiramente urbanos, a própria bicicleta continuará sendo meio de transporte. Mas ele e ela também sairão ganhando com o programa de Delanoë porque, em parte, terão mais ciclovias e ouvirão menos palavrões dos motoristas de caminhonetes brancas (que parecem fazer curso de má-criação). No momento, apenas 40 mil, de 2,5 milhões de parisienses (região central), dizem usar bicicletas, mas o prefeito quer elevar o número para 250 mil.

Educação

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